Vá para o novo INCONFIDENCIAL

24.01.10 | por Clediney Silva [mail] | Categorias: Política

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Jornalista compara caso de Yeda Crusius ao de Eduardo Jorge

25.10.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

“A ira gera o ódio, e do ódio nascem a dor e o medo.”

Santo Agostinho

”Yeda Crusius – Ela resistiu à tentativa de linchamento.” Esse é o título de texto do jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja Online, para mostrar ao país que as esquerdas tentaram cassar a governadora do Rio Grande do Sul, usando acusações sem provas: “Tenho amigos no Estado que a defendem com convicção, e há outros que veem incompetência política gritante. Bem, de quase todos os governos, pode-se dizer o mesmo. O que é inédito, e isso só Yeda Crusius experimentou, foi a conjugação de forças políticas as mais heterogêneas para tentar derrubá-la: de uma suposta direita (que, de direita, não tem nada; o que falta é remédio) à extrema esquerda mais delirante. A tentativa de derrubá-la não é inferência — como Lula fazia durante o mensalão: “Estão querendo me derrubar…”, o que era cascata. Os adversários de Yeda tentaram mesmo. E mais de uma vez. Com provas na mão das lambanças no governo Lula, a oposição nunca ousou ir tão longe. Sem provas, os inimigos de Yeda pediram a sua cabeça”.

Reinaldo Azevedo continua o texto, que rendeu discussão: “Não me lembro de ter assistido a coisa semelhante no Brasil. As únicas provas até agora apresentadas contra Yeda são aquelas que nascem da convicção dos acusadores. Algo semelhante, creio, só Eduardo Jorge Caldas Pereira — secretário-geral da Presidência na gestão FHC e agora secretário-geral do PSDB — experimentou. E ele provou, de maneira acachapante e um tanto humilhante para a imprensa, ser inocente. Ocorre que tinha caído na malha da difamação liderada por um procurador destrambelhado”.

O Ministério Público pediu o afastamento de Yeda, lembra o jornalista. “Provas? Não havia nenhuma. Elas ainda seriam produzidas. Sindicatos entraram com um pedido de abertura de processo de impeachment, pressurosamente aberto por um petista. Provas? Ainda seriam produzidas. Acusa-se a governadora de ter comprado uma casa com dinheiro do caixa dois. Provas? Calma, gente! Eles ainda precisam ser produzidas. Nunca antes “nestepaiz”… Nunca antes no Rio Grande. A família Genro, dividida na política entre a extrema esquerda e a esquerda extrema, uniu-se episodicamente. E PT e PSOL entoaram a cantilena: “Fora Yeda”, engrossada por sindicatos ligados, por que não seriam?, à CUT”.

As tais gravações bombásticas contra a governadora, que seriam “a” prova”, Reinaldo Azevedo conta ao Brasil, “não passam da voz do acusador gravando a si mesmo. Nunca antes no mundo! Querem derrubar Yeda? Acham que seu governo é ruim? Acusam-se de desvios éticos? Terão de apresentar algo mais do que a simples acusação. Não estou assegurando aqui que nada aconteceu porque não asseguro isso sobre nenhum governo. Estou dizendo, sim, com todas as letras, que não se apresentou uma maldita evidência até agora. NADA!!! Se aparecer, aí a gente conversa”.

Mas é claro que a sua credibilidade foi para o brejo, escreve o jornalista, assim como a situação de Eduardo Jorge ficou insustentável. “Ele exercia cargo de confiança e saiu. Ela foi eleita pelo povo, e a deposição requer alguns rituais. O que sobra como lição não deixa de ser uma advertência importante a todos aqueles que fazem oposição aos petistas e às esquerdas: essa gente é capaz de tudo e pode destruir uma reputação por força de repetir todos os dias as mesmas acusações. E, como se sabe, com forte presença no que eles chamam mídia”.

O jornalista Reinaldo Azevedo não sabe se Yeda vai reunir condições de disputar mesmo a reeleição no ano que vem. “Seus índices nas pesquisas são ruins. Ela diz que vai. Caso leve adiante o seu intento, acho que ela já tem uma excelente material de campanha em mãos. Se eu fosse seu marqueteiro, levaria ao ar as manifestações pedindo a sua saída e diria, ali, quem é quem. Exibiria aquela coletiva patética de procuradores se comportando como um pelotão de fuzilamento, condenando antes mesmo do julgamento; reproduziria até as tais fitas antes tidas como provas irrefutáveis — anunciadas, diga-se, previamente por Luciana Genro… E depois indagaria o óbvio: “O que é que esta gente tem contra mim, até agora, que não seja ódio?””

Na Veja Online (www.veja.com.br), leia o texto completo, com retruques sobre comentários enviados por leitores. Alguns desesperados.

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CPI muda pontaria para PMDB e PP

20.10.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

Vice-presidente Gilberto Capoani diz que comissão é palanque e mente que investiga

Na reunião de ontem, a CPI do PT mudou a pontaria. No lugar de alvejar a governadora Yeda Crusius, apontou sua artilharia para os deputados federais José Otávio Germano (PP) e Eliseu Padilha (PMDB). O petismo e seus partidos satélites pretendiam criar situação favorável à aprovação de convites para os dois falarem à comissão, mas não conseguiram os votos necessários. O deputado José Westphalen (PP) criticou a ilustração do falatório com áudio, no qual José Otávio conversa com Antônio Maciel: “Foi tudo combinado”. O vice-presidente da CPI, deputado Gilberto Capoani (PMDB), defendeu Padilha: “O convite é eminentemente político e pretende trazer o PMDB para a baila”. Depois, Capoani definiu para que serve a CPI do PT: “Nós temos que deixar de mentir para a sociedade que vamos investigar, investigar, investigar. A Polícia Federal investigou. O Ministério Público investigou. O que estamos fazendo é trazer as pessoas aqui para tirar proveito político. Nós não investigamos nada. Absolutamente nada. A CPI não investigou nada. E não vai apurar nada. Eu desafio os deputados a provarem ao contrário. A CPI presta apenas para palanque eleitoral. Por isso, não tenho vindo às sessões participar de uma farsa. Temos que deixar de mentir para a sociedade gaúcha. Ando pelo interior. Discuto com as pessoas sobre a CPI. Todos sabem que o que está sendo feito aqui é um palanque eleitoral”.

Peixoto e Maciel
A CPI do PT rodou também um áudio de conversas entre o deputado estadual Marco Peixoto (PP) e o ex-diretor da CEEE Antônio Maciel. Nele, Peixoto convida Maciel para ir até a praça encontrar com o ex-presidente do TCE João Luiz Vargas, a quem se referem como “saravé e chefe de umbanda". O ex-diretor da CEEE responde que está indo encontrar com “o homem". Peixoto não pergunta de quem se trata, o que, segundo a oposição, pode indicar que ele sabia de quem falava Maciel.

Ajudando a CPI
Apesar de reconhecer a finalidade eleitoreira da CPI do PT, os governistas ajudaram a aprovar cinco requerimentos do relator, deputado Coffy Rodrigues (PSDB). As matérias tratam da convocação de testemunhas, uma acareação e acesso a documentos da Justiça Federal. “Nesta primeira fase, queremos dissecar o fato determinado que envolve a empresa Atento”, disse Coffy.

Grande perda
Uma tentativa de Daniel Bordignon (PT) e Paulo Azeredo (PDT) de convocar o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, para falar sobre uma operação financeira com a fumageira Aliance One foi barrada. Gilberto Capoani explicou que a exposição levou a empresa a desistir de operar com o banco, depois de 28 anos de parceria “absolutamente lisa”.

Esquerda moderna
O PSB abre o leque de alianças para 2010. Mas não é apenas discurso. Sem rancor, os socialistas dialogam fácil com todos os partidos, prestigiando-os em seus maiores eventos. O deputado federal Beto Albuquerque esteve em recente convenção do PP e foi representado na convenção do PSDB, no final de semana. O líder da esquerda moderna aprendeu com o presidente Lula que todos os partidos são importantes, com suas virtudes e defeitos, avanços e tropeços.

Missão Oficial
Em missão oficial, representando a Frente Parlamentar de Infraestrutura Nacional, os deputados José Otávio Germano (PP), Júlio Semeguhini (PSDB-SP), Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Eduardo Sciarra (DEM-PR) viajaram à Espanha. A convite da Solario, empresa de captação de energia solar, participam de reunião com o ex-ministro da Fazenda da Espanha Cristóbal Montoro, com o ex-conselheiro da US Chamber e CEO da empresa Equipo Económico, Ricardo Rico, e com os acionistas da Solaria, Enrique Díaz-Tejeiro, Arturo Díaz-Tejeiro e Miguel Díaz-Tejeiro.

Joabel Pereira
O competente jornalista Joabel Pereira deixa hoje a assessoria de comunicação do Palácio Piratini.

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Recall nelles

25.09.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

“A corrupção favorece as ideias novas.”
Teixeira de Pascoaes

Um dos meios de moralização da política pode ser o recall. A revogação de mandatos, diretamente pelo eleitor, quando julga que o comportamento é adequado, funciona com sucesso nos Estados Unidos, a maior democracia do mundo. O assunto está nas mãos do senador Pedro Simon (PMDB), na Comissão de Constituição e Justiça. O gaúcho, na condição de relator, reuniu numa única proposta substitutiva de emenda constitucional três projetos apresentados por Antônio Carlos Valadares (PSB-PB), Jefferson Peres (falecido) e Eduardo Suplicy (PT-SP). Uma medida dessa natureza, que fortalece a democracia participativa e a cidadania, diz Simon, pode ser avaliada pela evidência dos abusos cometidos e pela impunidade, principalmente no caso de políticos.

Antes do esquecimento
O recall abrevia o tempo de espera para o julgamento das atitudes políticos nas urnas e, sobretudo, previne a permanência nos cargos, sem apoio popular. Os eventuais comportamentos inadequados teriam reduzido tempo para cair no esquecimento, constatação quase sempre presente na autocrítica do eleitor brasileiro. Paralelamente a uma espécie de pronta depuração, os políticos tomariam maior cuidado para seguir o melhor caminho e escapar ao expurgo sentenciado pelo voto direto. É possível supor que executivos e legislativos teriam menor quantidade de gente processada por desvio de conduta no trato da coisa pública. Vale a pena torcer pelo sucesso da proposta, mas, sem ilusões. Da CCJ ao plenário, onde se define, o caminho não é longo, contudo quantos obstáculos terá pela frente por obra de muitos que nem deveriam mais lá estar?

Quanto pior, melhor
“Os contratos relativos aos polos de pedágios foram assinados entre o governo estadual e as concessionárias que atuam no Rio Grande do Sul", afirma a oposição, querendo dizer que o governo Lula não tem nada com isso e não aceita de volta o monstrengo. Tem, sim, tudo a ver. O governo Yeda Crusius desenvolveu uma solução, através do programa Duplica RS, mas esbarrou nos adversários na Assembleia Legislativa e em Brasília. Lá, gaúchos maquinaram contra a negociação com as concessionárias, valendo-se da existência de trechos federais na malha pedagiada. Fica a triste impressão de que essa gente quer o pior. Fez tudo o que pôde para inviabilizar o Duplica RS e agora se esforça para que nem os caríssimos pedágios nem as estradas esburacadas tenham solução. Os adversários de Yeda Crusius querem que os usuários continuem sofrendo para que aumentem suas possibilidade eleitorais em 2010. Quem paga para trafegar precisar ter em mente que a situação ruim se deve à má-vontade do pessoal do quanto pior, melhor.

Avaliação precisa
Ao analisar a pesquisa qualitativa do Instituto Methodus, PSB, PP, PCdoB, PDT, PPS, PTB, PR, PV e, agora, PSC, PTC e PTdoB decidiram formar um grupo de trabalho com a missão de elaborar um projeto para 2010. O pré-candidato a governador Beto Albuquerque foi preciso ao dizer por que a terceira via ganha espaços: “A pesquisa mostra interesse por uma alternativa que coloque os interesses dos gaúchos em primeiro lugar. O levantamento deixou evidente que o Rio Grande do Sul não tem saudades daqueles que já governaram nem vontade de manter o que aí está. O debate não é sobre a evolução dos conflitos e sim sobre a involução da economia. A política tem produzido problemas e não soluções". Agora, os partidos vão discutir nomes para a chapa majoritária.

Veja bem
A diferença entre PT e PSB é que o PSB não é radical e não fomentou sentimento antissocialista.

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Áudios antigos para notícia velha

15.09.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

“Entre a notícia e o boato a diferença é que a notícia pode ser forjada.”
Eno Teodoro Wanke

A quarta reunião da CPI do PT menosprezou a inteligência mediana. Sem ter o que fazer para justificar o palanque financiado com dinheiro público, a comissão não se intimidou. Deu de mão em áudios de 2007, da Operação Rodin, incluídos na ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal, e se pôs a ouvi-los como se fossem grandes novidades. As pessoas envolvidas nos áudios relacionados à roubalheira no Detran são já réus de processos. Um dos áudios se refere a uma suposta reunião no Palácio Piratini, mas, nenhum outro, na sequência, confirma ter havido a tal audiência. Visivelmente a divulgação dos diálogos, sem nexo com a marcha lenta da CPI, serve para pressionar os governistas a darem quorum para melhorar a qualidade do espéculo político. Não parece que vão conseguir, a menos que concordem em aprovar regras de funcionamento. Numa reunião extraordinária, dia 23, os deputados rebelados contra a forma imperial como a comissão é tocada pretendem organizar a desorganização que joga dinheiro público fora e não investiga nada.

CPI para nada
Durante entrevista coletiva, o vice-presidente da CPI, Gilberto Capoani (PMDB), afirmou que a presidente Stela Farias não cumpre o Código de Ética Parlamentar. “Desrespeita o artigo segundo, da Disposições Preliminares, que exige princípios de legalidade, democracia, livre acesso, representatividade, supremacia do plenário, transparência, função social da atividade parlamentar e boa-fé.” Composta por oito bancadas, adverte o deputado, a comissão precisa respeitar a democracia, a representatividade e, sobretudo, a supremacia do plenário. “Nada disso está acontecendo.” Se ocorrerem depoimentos sem aprovação, diz Capoani, a CPI poderá resulta em nada, servindo apenas para propósitos político-eleitoreiros.

Extremistas
Extremistas políticos invadiram a entrevista, provocando baderna. Essa gente ligada ao sindicalismo pelego do governo Lula não gosta de pessoas que pensem diferente do PT e seus partidos satélites. Os baderneiros queriam pressionar para que os deputados governistas fossem para a sessão da CPI fazer número, como o DEM, para o petismo tocar em frente sua virulenta campanha contra o governo Yeda. Esse perfil político assustador que deseja mandar no Rio Grande do Sul a partir de 2010. Foram expulsos da sala pela segurança da Assembleia Legislativa.

Recurso à CCJ
O relator da CPI protocolou recurso com pedido de urgência na Comissão de Constituição e Justiça. Coffy Rodrigues deseja ter clareza sobre os limites de atuação de um relator. O deputado garante que a base aliada quer acessar as informações, para investigar, mas de forma lícita. “Não tenho receio de trazer provas às claras, mas não vou suportar o autoritarismo da deputada Stela. As prerrogativas que ela tem eu também tenho.” O deputado as tem, claro! Mas não é petista. Logo…

Casas em Porto Alegre
O contrato do primeiro empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida em Porto Alegre é assinado hoje, às 15h, na presença do prefeito José Fogaça, o melhor do Brasil, entre a Caixa Econômica Federal, Ministério das Cidades e a Eplan Construções. O empreendimento é o Condomínio Residencial Repouso do Guerreiro, na Restinga, com 300 apartamentos. As unidades habitacionais se destinam a famílias com faixa de renda de até três salários mínimos.

Repercussão positiva
Cinco equipes de orientadores contratados e treinados pela EPTC percorreram ontem pontos de Porto Alegre, distribuindo material educativo em faixas de segurança sem semáforos e orientando pedestres e motoristas sobre o novo sinal de trânsito. O objetivo da campanha, aplaudida pela população, é garantir mais segurança a transeuntes e condutores. O novo sinal (braço estendido) não é lei. Mas usar e respeitar a faixa de segurança faz parte do Código de Trânsito Brasileiro.

Visitantes holandeses
Quatro jornalistas holandeses participam de um roteiro por seis vinícolas da serra gaúcha. As visitas técnicas são organizadas pelo Instituto Brasileiro do Vinho, por meio do projeto Wines From Brazil, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Embaixada do Brasil em Haia (Holanda) e TAM Linhas Aéreas.

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Turbulências políticas

13.09.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

“Na discórdia torna-se mais valioso o entendimento.”
Publílio Siro

Somente um movimento suprapartidário pode livrar o Rio Grande do Sul de turbulências políticas devastadoras. O radicalismo está incendiando o Estado, desde muitos meses, em busca de voto para as eleições de 2010. O custo incalculável para a imagem gaúcha no país e no exterior será crescente, até 2014, com qualquer resultado eleitoral no próximo ano. Mas, se for vitorioso no RS, o esquerdismo iniciará imediatamente a campanha pela volta de Lula ao Palácio do Planalto, depois da derrota inevitável da candidata Dilma Rousseff. Sem força em São Paulo, de onde virá o futuro presidente José Serra, o Rio Grande será a meca da esquerda, como ocorreu, no passado, com Porto Alegre, cuja prefeitura chegou quebrada às mãos do prefeito José Fogaça.

O momento grave exige desprendimento político. Os grandes partidos estão frente ao desafio de colocar seus projetos sobre a mesma mesa e debater, sem personalismo de lideranças, como fazer para cuidar bem do presente e do futuro do Rio Grande. A governadora Yeda Crusius deveria retirar sua candidatura à reeleição, como primeiro sinal à aproximação das forças políticas que a ajudaram a zerar o déficit público e retomar os investimentos. Sem pré-candidatura, PSDB, PMDB, PP, PTB e PPS deveriam procurar PDT, PSB e DEM para conversar sobre paz política, manutenção de investimentos e garantia de desenvolvimento econômico e social. E, até abril do próximo ano, mostrar ao Brasil que têm compromisso com os gaúchos e, para vencer a eleição no primeiro turno, lançar um só candidato ao Palácio Piratini.

Se os oito partidos tiverem dois ou mais candidatos, vão disputar, entre si, uma vaga no segundo turno. A outra é do petismo. No segundo turno, todos estarão juntos, a exceção do PSB, talvez. A disputa com mais de um candidato só se explica com projetos partidário e pessoais. Legítimos, claro. Mas injustificáveis, considerando os interesses superiores dos gaúchos. Esses homens que sempre cuidaram bem do Rio Grande não têm o direito de faltar-lhe nesta hora dramática. Não podem ignorar a realidade que espanta pela virulência política, tendo apenas a presidência da Assembleia. Hoje, assacam contra a governadora. Amanhã, vão assacar contra seu antecessor, já citado nominalmente pelo deputado Bordignon, quinta-feira, ao ameaçar o PMDB por estar tirando o quorum da CPI do PT.

Homens de pouca fé
Os oito anos do 11 de setembro, data do covarde ataque aos Estados Unidos, país símbolo da democracia, passou em brancas nuvens por aqui. Nenhum partido – e há muitos que se dizem democratas – emitiu uma nota ou disse uma palavra contra o terrorismo. Nenhuma, nenhuma. E o terrorismo se manifesta de diferentes modos, destruindo instituições, esfacelando reputações e ceifando vidas. Nossos democratas parecem desconhecer a real importância da democracia e a verdadeira dimensão das ameaças do mal.

Não se entende esse jeito frouxo de defender o melhor sistema político já inventado pelo homem. Não se exige fanatismo, claro. Apenas demonstração de compromisso com o sistema de todas as formas de liberdades. Fanatismo é da natureza dos inimigos da democracia. Não vale dizer que nada temos a ver com a tragédia norte-americana. Três mil inocentes perderam a vida, porque nasceram ou visitavam o país mais democrático do mundo. Os democratas precisavam ter homenageado os mortos e recordado a estupidez dos fanáticos!

Os democratas, na verdade, precisam ser solidários nessa dor que dói em todos povos livres. Talvez, por ironia, precisem aprender um pouco de solidarismo com aqueles que fazem de tudo para defender até terrorista. Terrorista estrangeiro. Estrangeiro como os norte-americanos. Terrorista condenado por quatro assassinatos. Cesare Batistti, esse mesmo, distinguido com asilo político pelo governo brasileiro, que não o considera criminoso comum, mas vítima de perseguição política na Itália. Vejam! Eles “descobrem” perseguição política NA ITÁLIA se for para alcançar a mão amiga aos seus parceiros ideológicos. Por favor, senhores democratas! Não repitam o gesto grosseiro, duro e frio como a pedra, de não se lembrar de uma desventura cruel da pátria moderna da Democracia.

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Para gaúcho ver

29.08.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

Afirmação de ousadia

Por Yeda Crusius (*)

Em um momento de afirmação de confiança, de autoestima renovada e de reconhecimento das imensas potencialidades do Rio Grande do Sul muito além de suas fronteiras, o Estado vive, de 29 de agosto a 6 de setembro, a 32a. Expointer. Nada menos do que 2,2 mil expositores, delegações de sete países e de 26 unidades da Federação farão a grande mostra superar as edições anteriores, colocando-nos, com realce, no mapa internacional do agronegócio.

Investimentos de R$ 2,2 milhões do Governo do Estado aprimoraram significativamente a infraestrutura do Parque Assis Brasil, em Esteio, que recebe este ano 6.137 animais de 167 raças, além de instalações de empresas de produtos agropecuários, bancos, expositores de automóveis, artesanatos, com ênfase especial para o tradicional segmento de máquinas e implementos agrícolas.

Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Equador, Reino Unido e Uruguai têm encontro marcado na ampla passarela da produção, que concentra as últimas novidades da moderna tecnologia agropecuária e agroindustrial, sendo por isso mesmo reconhecida como um dos maiores eventos mundiais em seu gênero.
Além da exposição de 160 raças de animais, de julgamentos e leilões, dos desfiles dos campeões, de amplo espaço de lazer e manifestações artísticas, da feira da agricultura familiar, do concurso Freio de Ouro, a Expointer será marcada pelo Prêmio Gerdau Melhores da Terra, shows de máquinas e por fóruns, seminários, cursos e palestras, voltados todos ao aperfeiçoamento da agropecuária.

Essa extraordinária iniciativa do Governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio, atesta uma vez mais a elevadíssima prioridade que aqui se confere ao setor primário como alicerce da construção do desenvolvimento econômico e da promoção do bem estar social. Não pode haver mais ousada e criativa resposta a uma crise econômica internacional que o Brasil e o Rio Grande estão sabendo vencer com determinação e coragem.

(*) Governadora do Estado do Rio Grande do Sul

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Zachia se defende da ação do MPF

19.08.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

“A vida é mais simples do que a gente pensa; basta aceitar o impossível, dispensar o indispensável e suportar o intolerável.”
Kathleen Norris

O deputado estadual Luiz Fernando Zachia usou a tribuna da Assembléia Legislativa para se defender das acusações feitas na ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal. As gravações usadas pelos promotores, segundo o deputado, referem-se a negociações políticas entre ele e o então secretário-geral do PP, Antônio Dornéu Maciel. “Das mais de 20 mil horas de gravações, eu apareço em três minutos e 13 segundos", disse o parlamentar. “São diálogos que mostram as negociações com o principal interlocutor do PP com o governo estadual", completou. Zachia sustentou que o ambiente político à época das gravações – final de outubro e início de novembro de 2007 – era de conversas tensas entre o Executivo e o Legislativo por conta da ideia de aumentar o ICMS e de compor o governo com os partidos aliados. O deputado lamentou que os promotores tenham concluído, com base nas escutas, que ele tivesse algum tipo de envolvimento com o escândalo do Detran e atacou a “postura excessivamente midiática” do Ministério Público Federal: “É uma condenação pública no momento em que setores importantes da sociedade gaúcha simplesmente compram a tese do Ministério Público". Zachia terminou o discurso com um desabafo: “Se continua assim, daqui a pouco a minha vida vai pro saco. Depois dizem que sou inocente".

Sinal de alerta
A dificuldade da base do governo na Assembleia Legislativa para a escolha do relator da CPI do PT, que mira o Palácio Piratini e a figura da governadora Yeda Crusius, não é bom presságio. A maioria parece não ter aprendido a lição da CPI do Detran, transformada em palanque político, poucos meses antes das eleições de 2008. Ninguém se interessa pelo cargo. Nem mesmo os partidos que têm figuras na ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal ou no processo que tramita em Santa Maria. O descaso geral apenas reforça a surpresa com a possível indicação de nomes sem preparo suficiente para compor uma CPI que terá reflexos diretos nas eleições de 2010. Nunca se viu tanta incompetência em torno de governante que tão bem conduz o Rio Grande do Sul.

Indiciamento
No dia do lançamento do Portal Transparência, mais um dissabor para a governadora Yeda Crusius. A Polícia Federal indiciou Walna Vilarins por corrupção passiva e formação de quadrilha, depois de ouvir a assessora do Palácio Piratini no contexto de um dos 14 inquéritos originários da Operação Solidária, que investiga fraudes em licitações de barragens.

Sem comentário
O deputado Adilson Troca (PSDB) é lembrado para a relatoria da CPI do PT. Não quer.

Reforço
A governadora Yeda Crusius nomeou o deputado Coffy Rodrigues como vice-líder do governo na Assembléia Legislativa.

Pancada em Simon
PT e PMDB nunca se entenderam no Rio Grande do Sul. E as relações sempre podem ficar piores. Ontem, o deputado Ronaldo ZÜlke estava indignado com o senador Pedro Simon, que sugeriu que Lula feche a boca: “Simon só quer ética em Brasília”, disse ZÜlke: “Quero que ele fale também sobre o que acontece aqui no Estado”. Ainda há quem sonhe com aliança PT-PMDB.

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Íntegra do processo

11.08.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

Na política, os ódios comuns são a base das alianças.

Alexis de Tocqueville

Em cinco arquivos, o jornalista Políbio Braga disponibilizou ontem no site www.polibrio.com.br a íntegra dos autos do processo do Ministério Publico Federal contra a governadora Yeda Crusius e mais oito pessoas. “O material é inédito. A disponibilização de tudo visa a mostrar a verdade, desfazer intrigas e boatos, permitindo que a opinião pública julgue por si mesma o que está acontecendo de caviloso, imoral, aético e politicamente incorreto no RS, como já vem proclamando o editor há muitos e muitos meses. Trata-se de uma trama diabólica, cruel e inaceitável num estado democrático de direito”, escreveu.

Ação inepta
Políbio Braga disse que “a publicação atende a pedido feito pelo próprio MPF, que pediu a quebra do segredo de justiça, proteção que os próprios réus já dispensaram publicamente”. A leitura vertical das 1.237 páginas da ação civil pública, segundo o site de Políbio Braga, permite concluir que “a montanha pariu um rato. O processo que foi para Santa Maria é um processo kafkiano e político. Acontece que a Justiça Federal não é a Santa Inquisição e nem está a serviço da candidatura do ministro Tarso Genro. A juíza Simone Barbisan não terá outra alternativa senão julgar inepta a ação”.

Baseado em “ouvir dizer”
O jornalista afirma que “não existe uma só prova material (documento, extrato bancário, declaração de renda ou seja o que for) e também nem um só áudio (som ou imagem) – a não ser algo que se poderia tomar como testemunho de ouvir dizer (a prostituta das provas) – capaz de incriminar um só fio de cabelo da governadora Yeda Crusius. Advogado nenhum do mundo move processo baseado em “ouvir dizer”. Não apareceu uma só prova em três anos e meio de denúncias após denúncias e na ação ajuizada pelo MPF, novamente, não é apresentada uma só prova. No caso das testemunhas, se é que se pode falar em testemunhas, o que fica claro na petição inicial é que os procuradores compraram como verdades reveladas, a gravação forjada, orquestrada, montada, previamente combinada entre os lobistas Lair Ferst e Marcelo Cavalcante, cujo único objetivo era chantagear Yeda, empresários gaúchos e o PSDB, ao que se somaram os delírios persecutórios do surpreendente ex-presidente do Detran, Sérgio Buchmann, retirado há dois meses da cama porque a polícia queria prender seu filho traficante”.

Conversas indiretas
De acordo com Políbio Braga, “70% da ação visam a atacar o deputado José Otávio Germano e 30% focam Yeda. Os outros personagens são todos objetos de conversas indiretas grampeadas pela Polícia Federal, tipo Flávio Vaz Neto com Antonio Maciel (os áudios já foram todos apresentados, mas existem alguns que são inéditos), ou depoimentos como o de Sérgio Buchmann, que narra conversas cruzadas que teve com o secretário substituto da Administração, o que teria dito cobras e lagartos contra colegas de governo e tucanos de vasta plumagem. Novamente, aqui, o MPF aceitou “ouvir dizer” como verdade revelada. Nessas conversas é que entra o deputado Frederico Antunes, que é o personagem que entrou na história de graça, a não ser por se apresentar como a mais importante liderança política atual do PP gaúcho, candidato natural a vice da própria Yeda ou de Fogaça”.

Áudios conhecidos
Os áudios tão esperados pelos voyeurs, que, segundo Políbio Braga, infestam a política e a mídia do Rio Grande do Sul são os já conhecidos ou divulgados: “1) conversações entre Flávio Vaz Neto e interlocutores diversos, sobretudo Antonio Maciel. 2) trama forjada entre Lair Ferst e Marcelo Cavalcante. 3) gravação feita por Paulo Feijó com Cezar Busatto. Imagens claras, límpidas como a luz do dia, como denunciaram a deputada Luciana Genro e o vereador Pedro Ruas em fevereiro? Nem pensar. Os dois líderes do PSOL continuam devendo explicações sobre o que disseram e o sórdido papel que jogam em todo o episódio, algo jamais visto na história do RS”.

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MPF mira Yeda e mais oito

06.08.09 | por Clésio Boeira [mail] | Categorias: Política

A governadora Yeda Crusius se declarou “perplexa”, disse o chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel

Sem apresentar provas e nem esclarecer os motivos, o Ministério Público Federal anunciou representação por improbidade administrativa contra nove autoridades e ex-autoridades do Rio Grande do Sul. Alegando sigilo judicial, os procuradores apenas deram publicidade a ações contra a governadora Yeda Crusius, o deputado federal José Otávio Germano, os deputados estaduais Luiz Fernando Zachia (PMDB) e Frederico Antunes (PP), o ex-secretário Delson Martini, a assessora da governadora Walna Vilarins Meneses, o diretor do Banrisul Rubens Bordini e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas. A sociedade ficou na expectativa de conhecer as razões sobre os fatos que levaram às ações que também pedem afastamento dos cargos, suspensão dos direitos políticos por oito ou 10 anos, proibição de contratação pelo poder público, pagamento de multa e ressarcimento dos recursos supostamente desviados. Mais de 1,2 mil páginas seguem para decisão da juíza Simone Barbisan Fortes, em Santa Maria.

Yeda Crusius
O chefe da Casa Civil reagiu em nome do governo Yeda Crusius, que, segundo ele, recebeu a notícia com “perplexidade”. José Alberto Wenzel classificou a entrevista coletiva de jogral e as denúncias, sem apresentação de provas e nem esclarecimentos, de crueldade. “Tenho a intuição de que há uso político do Ministério Público Federal. Simplesmente atiram nomes ao ar, sem apresentar fundamentações. É uma crueldade que a população gaúcha não pode aceitar. Não existe motivo para afastamento da governadora. Essa questão foi trabalhada exaustivamente na CPI do Detran. Yeda busca o saneamento e a transparência do Detran e deveria ser elogiada”.

Zachia e Frederico
Os deputados Frederico Antunes e Luiz Fernando Zachia disseram que nunca foram ouvidos pelo Ministério Público Federal. Em nota, Zachia criticou “a atuação midiática” dos procuradores e se declarou “indignado por desconhecer as causas da acusação, o que impossibilita o direito ao contraditório neste momento”. Também em nota, Frederico disse que “o fato causou profunda estranheza, porque, desde as primeiras informações sobre o processo, no ano passado, jamais fui chamado para depor, nunca tive o nome envolvido e tampouco tomei conhecimento de qualquer investigação incluindo meu nome”.

José Otávio
José Otávio Germano também disparou contra os procuradores: “Não é novidade no Rio Grande do Sul esse tipo de entrevista, parece até que virou modismo. Lamentei que ao direito de anunciar os nomes dos acusados o MP-RS não tenha exercitado o dever de dizer os motivos que encontrou para fazer as acusações, especialmente considerando o reconhecimento de diferenças nas respectivas condutas. Todos sabem que o sigilo alcança informações fiscais, telefônicas, bancárias, telemáticos, jamais fatos ou condutas das pessoas, de modo que a justificativa de manter o sigilo só serviu para estimular o justiçamento público sem defesa”.

Sigilo
Deputados governistas também se perguntavam por que motivo os procuradores do Ministério Público Federal não providenciaram antes a quebra do sigilo que os impediu de esclarecer as razões das denúncias contra Yeda Crusius e políticos gaúchos. Os procuradores fizeram o pedido no corpo do processo que encaminharam à juíza Simone Barbisan Fortes.

CPI do PT
Em reunião no começo da noite, a bancada do PDT decidiu garantir as duas assinaturas que faltavam à CPI do PT. O chefe da Casa Civil também criticou a iniciativa da oposição: “Não há fato novo e, muito menos, motivo para CPI. Os fatos alegados foram exaustivamente debatidos. O governo é o primeiro a querer todos os fatos esclarecidos”.

Roteiro do impeachment
Depois da entrevista coletiva, circulou na Assembléia Legislativa um documento assinado pelo procurador Fernando Ferreira, delineando roteiro sobre eventual processo de impeachment da governadora Yeda Crusius. Deputados da base governista ficaram impressionados com a pressa e agilidade.

Calma, calma
O senador Pedro Simon, presidente estadual do PMDB, apela a seus companheiros para que aguardem reunião sobre o caminho a ser tomado: “Vamos decidir juntos como agir daqui para frente”.

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Clesio Boeira

Jornalista Profissional, colunista especializado em política no Rio Grande do Sul

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